sábado, 1 de março de 2014
Os olhos da cara.
Todas as vezes que não falei nada
Foi só pra ouvir um pouco mais da tua voz.
E, assim, o desinteresse caiu por terra.
Mas você só sabe disso agora.
E talvez nem saiba nem nunca saberá.
Então continuo sendo um qualquer.
Até aceito.
Por qualquer que seja o motivo.
Ainda me calo pra te ouvir.
Ou fecho os olhos pra te observar melhor.
Mas disso você não sabe.
E nunca saberá.
Não contarei.
Porque te admirar me custa os olhos da cara.
E todo o fôlego que eu consigo ter.
O problema é que eu gosto.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Até, Até..
As sextas feiras costumavam ser bem mais monótonas.
As quintas, também.
Mas dessa vez não foram.
A gente sempre acha que o nosso cadarço sempre vai estar em nosso tênis
Talvez, por isso não o amarramos logo assim que ele desamarra.
E, assim, meu cadarço sumiu.
....
Hoje está sendo uma noite bem difícil.
Perambulo pelos corredores procurando aquele sorriso singelo
Junto daqueles olhinhos que tanto brilham e me causam palpitações.
Ainda por cima, não para de chover.
Ultimamente tenho conquistado muitas coisas dignas de sorrisos,
mas hoje minha boca está em linha reta.
Parece que perdi minha voz
Ou meu bloquinho de nota com minha caneta preferida.
Passei pela mesa que nos falamos pela primeira vez.
Não aguentei ficar nem 10 segundos
Vai que meus olhos resolvessem soar..
De qualquer forma, parece que hoje meu coração tá sem ânimo.
E minha barriga passou repelente, porque não tem mais borboletas.
A vida é mesmo uma bola pra frente.
E espero que eu a chute e quebre a tua vidraça e derrube teu vaso favorito.
Aí, assim, eu possa buscá-la e te ver novamente.
Ou, caso nos esbarremos por esse baú gigante do qual viemos.
Ainda vou te ver, oh, minha bela.
Ainda vou te ver.
Eu prometo.
The more you ignore me.. the closer i get (8).
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
SePá-Ra
Para bens existem as mãos
Para raios, o céu, a terra..
Para mim, só saudade da gente que nunca vi
Para nós, só abraços no ar
Para os outros, uma descrença, que isso não existe
Para os animaizinhos, a confiança que dá certo.
Para o mundo, dois sorrisos a mais
Para os lábios, musculação a cada sorriso
Para os olhos, a esperança
Para o corpo, a confirmação.
Para tudo, nada que se entenda.
Só se sente.
E tem gente que nem sente.
Ainda bem que não é o seu caso.
Para você, a minha eterna gratidão.
Parabéns.
[A.Lima]
sábado, 11 de janeiro de 2014
Nem um pingo.
Quinta feira.
Tempo nublado.
Centro Histórico.
No chão, pedras de cantoria.
No peito, um silêncio que sufoca.
E, às vezes, até grita.
O céu começa a chorar de alegria.
As gotas de chuva me acertam a cara.
A saudade do que não tive me crava na espinha.
As memórias que nunca morrem acordam na mente.
Então surge, no meio de cada pingo, a sereia que caminha.
Sobre as pedras, entre a escassa água, ela seca a minha garganta.
A cauda, agora, é um longo vestido.
Os cabelos compridos, como sempre, escorridos aos ombros.
Nos olhos, o brilho da pérola que cada ostra protege.
Em sua voz, o canto hipnótico que nos afoga.
Eu queria me afogar, também, mas não devo.
Não posso.
Mas bem que queria.
[A.Lima]
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
O Amor é um Vício
O amor é um vício
E nisso eu sou craque
Quando você passa por mim
de tudo sinto
mas, inexoravelmente,
tu finges que nada te aflinges - mas eu sei que sim
que alguma coisa bate
nesse teu peito que me flagela
O amor é um vício
que nunca se abate
Já que tu tens tanta marra assim
desamarra esses teus lábios e amarra nos meus
que já te esperam tão sedentos
jogados ao sol, ao relento, continuam implorando
por um milímetro dessa tua boca
que tem andado há quilômetros longe da minha
O amor é um vício
E às vezes é um baque
Eu não sei mais por onde ando
Apaguei meu rastro quando passei por aqui
E caio num poço sem fundo
Continuo descendo, já perdi meu relógio
Não vejo mais o topo, muito menos o chão
Vai ver esse limbo é o tal do amor
O amor é um vício
E nisso eu sou craque
O amor é um vício
Que nunca se abate
O amor é um vício
E ás vezes é um baque
O amor é um vício
e isso me cabe.
Às vezes transborda.
sábado, 7 de dezembro de 2013
Shine
Esses olhos me mastigam sem pena.
Eu tentei fugir por muito tempo
Mas cansei de tentar
Não há como.
O labirinto mora neles.
E o par se entrelaça para ficar mais forte.
...
És tão intensa!
Naturalmente bela
Com uma beleza que me força a sorrir
Sem fazer força alguma.
Só por olhar.
Estou muito longe, agora
Talvez estarei, sempre
Mas já me fez viajar milhares de segundos
Em menos de 3 meses.
Que nos próximos anos eu ainda lembre de ti
Que meus tragos de café retardem minha loucura.
E que continue assim.
Mutavelmente linda.
Teu olhar incendeia qualquer alma fria.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Fado
Onde vai parar meu riso de infância?
Achei a chave que abre o meu baú
E logo logo tornarei a perdê-la.
Essa vida é um saco, mesmo.
Sem fundo, até.
E meu café?
E esses olhinhos de amêndoa?
Nem de cigana oblíqua, nem de dissimulada
Até hoje não sei o que é oblíqua, portanto, não emprego à você
Mas dissimulada sei que tens um pouquinho.
És também um tímido canarinho.
Fala manso, mas sempre afinada!
E quando abre o berreiro, quem chora sou eu.
Por dentro.
Pelos poros que se arrepiam ao ouvir.
Mas, tudo bem, pode ir.
Me deixe.
Eu sempre estive aqui, mesmo.
Só saibas que vou contigo, em algum lugar de ti
Porque já me levou consigo.
Se eu não chegar numa garrafa, pelo mar
Pode ser que chegue pelos céus
Só não me espere tanto
Você chegou de surpresa e me fez mais feliz
Sem nunca ter esperado
Então, que eu possa retribuir, um dia, quem sabe.
Nos encontramos numa cafeteria.
Assinado,
Ulisses.
[A.Lima]
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