sábado, 11 de maio de 2013

Íris



 
O farol descobre um horizonte na vertical.
Então, pra quê servem as leis da Física senão para serem confrontadas?
E pra quê serve a certeza num mundo de dúvidas?
Somos muitos dentro de um só e pelo menos um de mim tinha que te notar.
Não foram teus olhos, tom de pele, a voz recatada, nada disso.
Foi alguém em ti que está além. Além do limite do teu corpo.
Alguém que se apresentou quando você não estava nele e quase ninguém o viu.
Ou que resolveu sair pra me dar um oi. Um breve e rouco 'oi', quem sabe.
E mesmo sendo muitas em uma, essa tua parte parece que representou o todo
Como uma metonímia num picadeiro paradoxal.
Não deu tempo de te ouvir falar, talvez porque as palavras mudas tenham sido o necessário.
Talvez até devam ser as únicas, pra deixar o silêncio gritar e virar rei.
Ah, minha pequena Elizabeth, essa tua coleção é no mínimo intrigante.
Não sei se esconde um lírio em teus olhos ou uma cortina de fumaça em forma de interrogação.
Que se comporta como um labirinto praqueles que os procuram e uma estaca pra quem ousa chegar perto de decifrá-los.
Só não tenho certeza se tentarei. Pra quê serve a certeza num mundo de dúvidas?
Ainda assim os considero muito convidativos.
Que eu não vire pedra ao te encontrar..

Muito prazer, Perseu.


[A.Lima]